quinta-feira, 13 de agosto de 2026

COLÔMBIA AUTORIZA OPERAÇÔES CONJUNTAS COM OS EUA PARA COMBATER NARCOTRÁFICO

 


Durante reunião no Panamá, secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou que o país entrou em uma coalizão militar formada por nações do Hemisfério Ocidental.

Por Redação

13/08/2026 às 08:06

Membros do Exército colombiano em Cúcuta, Colômbia - Cristopher Rogel Blanquet/Getty Images

Membros do Exército colombiano em Cúcuta, Colômbia (Foto: Cristopher Rogel Blanquet/Getty Images)

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, deu as boas-vindas à Colômbia, nesta quarta-feira (12), em uma coalizão militar de combate ao narcotráfico formada por nações do Hemisfério Ocidental com ideologias afins, após a posse de Abelardo de la Espriella na última semana.

Antes de uma reunião com o novo ministro da Defesa da Colômbia, Jorge Eduardo Mora — um major-general da reserva —, Hegseth afirmou que o país também havia autorizado "operações militares conjuntas para destruir terroristas e redes terroristas".

A reunião da chamada Coalizão das Américas contra Cartéis ocorreu no Panamá, cujo canal se tornou um dos primeiros focos da política do presidente americano Donald Trump para a América Latina.

Essa política dos EUA expandiu-se drasticamente desde então, com o lançamento de ataques militares americanos contra embarcações suspeitas de transportar drogas em setembro passado — resultando na morte de mais de 200 pessoas até o momento — e uma incursão de comandos liderada pelos EUA em janeiro que depôs Nicolás Maduro, o ditador da Venezuela.

Críticos afirmam que os ataques dos EUA equivalem a crimes de guerra passíveis de julgamento pelo Tribunal Penal Internacional, mas Hegseth criticou duramente a organização e incentivou os aliados da coalizão presentes na reunião no Panamá a se retirarem dela.

Ele comparou os traficantes de drogas a terroristas da Al-Qaeda ou do Estado Islâmico.

Falando em um hotel na Cidade do Panamá, Hegseth invocou uma Doutrina Monroe reformulada — a política do século XIX que afirmava a primazia dos EUA nas Américas e que críticos associam a décadas de intervenção americana. Ele a chamou de "Doutrina Donroe", um jogo de palavras com o nome de Trump.

"Defenderemos nosso hemisfério de ameaças externas", incluindo aquelas provenientes de narcotraficantes ou de influência estrangeira, disse Hegseth.

Ação energética da Colômbia

As promessas do presidente colombiano Abelardo De La Espriella de adotar medidas enérgicas de segurança foram bem recebidas pela administração Trump, que anunciou na sexta-feira (7) planos de fornecer US$ 1 bilhão em assistência de segurança ao governo dele.

Durante seu discurso de posse na sexta-feira, De La Espriella prometeu "erradicar definitivamente o flagelo das culturas ilícitas" e comprometeu-se também a aderir ao programa Escudo das Américas, fundado por Trump. De La Espriella culpou seu antecessor, Gustavo Petro, pela expansão de grupos armados.

A eleição de De La Espriella fez parte de uma guinada à direita que se espalha pela América Latina.

No Peru, na Argentina, no Chile, no Equador, na Bolívia e no Panamá, economias fragilizadas e o aumento da criminalidade redefiniram as prioridades dos eleitores, permitindo que candidatos de extrema-direita — antes marginais no cenário político — ganhassem força ao prometer medidas rigorosas de repressão, em meio a uma ascensão global do nacionalismo de direita.

No Panamá, o governo Trump obteve uma vitória importante na Suprema Corte do país em janeiro, após manifestar preocupações com a crescente influência da China. A empresa CK Hutchison, sediada em Hong Kong, perdeu — por meio de sua subsidiária local, a Panama Ports Company — as concessões portuárias que detinha há quase três décadas.

O Canal do Panamá responde por 5% do comércio marítimo global, tornando o controle de seus portos de acesso um ponto crítico de tensão geopolítica entre Washington e Pequim.

Ao discursar na reunião, o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, classificou o tráfico de drogas como a maior ameaça enfrentada pela região e descartou receios de que a coalizão liderada pelos EUA pudesse violar a soberania dos países-membros. Ele não mencionou a China.

Em vez disso, afirmou que os grupos criminosos transnacionais que traficam drogas e pessoas são as verdadeiras ameaças à soberania.

"Nunca haverá uma paz sustentável se esse inimigo (avançar)", disse Mulino.

CNN Brasil


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